sábado, 28 de maio de 2011

TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO

TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO


Ø  Organizando a Empresa
Enquanto Taylor e outros engenheiros desenvolviam a Administração Científica nos Estados Unidos, em 1916 surgia na França, espraiando-se rapidamente pela Europa, a Teoria Clássica da Administração. Se a Administração Científica se caracterizava pela ênfase na tarefa realizada pelo operário, a Teoria Clássica se caracterizava pela ênfase na estrutura que a organização deveria possuir para ser eficiente. Na realidade, o objetivo de ambas as teorias era o mesmo: a busca da eficiência das organizações. Segundo a Administração Cientifica, essa eficiência era alcançada por meio da racionalização do trabalho do operário e do somatório da eficiência individual.
           Na teoria Clássica, ao contrário, partia-se do todo organizacional e da sua estrutura para garantir eficiência a todas as partes envolvidas, fossem elas órgãos (como seções, departamentos, etc.) ou pessoas (como ocupantes de cargos e executores de tarefas). A microabordagem no nível individual da cada operário com relação à tarefa é enormemente ampliada no nível da organização como um todo em relação a sua estrutura organizacional. A preocupação com a estrutura da organização como um todo constitui, sem dúvida, uma substancial ampliação do objeto de estudo da TGA. Fayol, em engenheiro francês, fundador da Teoria Clássica da Administração, partiu de uma abordagem sintética, global e universal da empresa, inaugurando uma abordagem anatômica e estrutural que rapidamente suplantou a abordagem analítica da Taylor.

Ø  A ÉPOCA
A segunda década do século XX foi tumultuada. A Primeira Guerra Mundial (1914-1917) envolveu a Europa e os Estados Unidos em operações militares conjuntas. Em seguida, os meios de transporte tiveram enorme expansão, com a indústria automobilística, as ferrovias e o início da aviação militar, civil e comercial. As comunicações também passaram por enorme expansão do jornalismo e do rádio em ondas médias e curtas. E na Europa surgiu a Teoria Clássica da Administração.

Ø  A OBRA DE FAYOL
Henri Fayol (1841-1925), o fundador da Teoria Clássica, nasceu em Constantinopla e faleceu em Paris, vivendo as conseqüências da Revolução Industrial e, mais tarde, da Primeira Guerra Mundial. Formou-se em Engenharia de minas e entrou para uma empresa metalúrgica e carbonífera onde fez sua carreira. Fayol expôs sua Teoria de Administração no livro Administration Industrielle et Générale, publicado em 1916. Seu trabalho, antes da tradução para o inglês, foi divulgado por Urwick e Gulick, dois autores clássicos.

·         As funções básicas da empresa.

Fayol salienta que toda empresa apresenta seis funções, a saber:
a)       Funções técnicas, relacionadas com a produção de bens ou de serviços da empresa;
b)       Funções comerciais, relacionadas com compra, vendam e permutação;
c)       Funções financeiras, relacionadas com procura e gerência de capitais;
d)       Funções de segurança, relacionadas com proteção e preservação dos bens e das pessoas;
e)       Funções contábeis, relacionadas com inventários, registros, balanços, custos e estatísticas;
f)        Funções administrativas, relacionadas com a integração de cúpula das outras cinco funções. As funções administrativas coordenam e sincronizam as demais funções da empresa, pairando sempre acima delas.

           Para Fayol “nenhuma das cinco funções essenciais precedentes tem o encargo de formular o programa de ação geral da empresa, de constituir o seu corpo social, de coordenar os esforços e de harmonizar os atos. Essas atribuições constituem outra função, designada pelo nome de Administração”.

Ø  Conceito de Administração

Fayol define o ato de administrar como: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. As funções administrativas envolvem os elementos da Administração, isto é, as funções do administrador, a saber:

Ø  As funções do administrador segundo Fayol.

  1. Previsão. Avalia o futuro e o aprovisionamento dos recursos em função dele;
  2. Organização. Proporciona tudo o que é útil ao funcionamento da empresa e poder ser dividida em organização material e organização social;
  3. Comando. Leva a organização a funcionar. Seu objetivo é alcançar o Maximo retorno de todos os empregados no interesse dos aspectos globais do negócio;
  4. Coordenação. Harmoniza todas as atividades do negócio, facilitando seu trabalho e sucesso. Sincroniza coisas e ações em proporções certas e adapta meios aos fins visados;
  5. Controle. Consiste na verificação para certificar se tudo ocorre em conformidade com  plano adotado, as instruções transmitidas e os princípios estabelecidos. O objetivo é localizar as fraquezas e erros no intuito de retificá-la e prevenir a recorrência.

           Esses são os elementos da Administração que constituem o chamado processo administrativo: são localizáveis no trabalho do administrador em qualquer nível ou área de atividade da empresa. Em outros termos, tanto o diretor, o gerente, o chefe, como o supervisor – cada qual em seu respectivo nível – desempenha atividades de previsão, organização, comando, coordenação e controle, como atividades administrativas essenciais.

Ø  Proporcionalidade das funções administrativas.
Para Fayol existe uma proporcionalidade da função administrativa: ela se reparte por todos os níveis da hierarquia da empresa e não é privativa da alta cúpula. A função administrativa não se concentra exclusivamente no topo da empresa, nem é privilégio dos diretores, mas é distribuída proporcionalmente entre os níveis hierárquicos. Na medida em que se desce na escala hierárquica, mais aumenta a proporção das outras funções da empresa e na medida em que se sobe na escala hierárquica mais aumenta a extensão e o volume das funções administrativas.

Ø  Diferença entre administração e organização.      
Ainda que reconhecendo o emprego da palavra Administração como sinônimo de organização, Fayol faz uma distinção entre ambas as palavras. Para ele, Administração é um todo do qual a organização é uma das partes. O conceito amplo e compreensivo de Administração – como um conjunto de processos entrosados e unificados – abrange aspectos que a organização por si só não envolve, tais como previsão, comando e controle. A organização abrange apenas a definição da estrutura e da forma, sendo, portanto, estática e limitada.
         
ü  A partir daí, organização passa a ter dois significados diferentes:
  1. Organização como uma entidade social na qual as pessoas interagem entre si para si alcançar objetivos específicos. Neste sentido, a palavra organização significa um empreendimento humano moldado internacionalmente para atingir determinados objetivos. As empresas constituem um exemplo de organização social;
  2. Organização como função administrativa e parte do processo administrativo (como previsão, comando, coordenação e controle). Neste sentido, organização significa o ato de organizar, estruturar e alocar os recursos, definir os órgãos incumbidos de sua administração e estabelecer as atribuições e relações entre eles.

Ø  Princípios gerais de Administração para Fayol.   
Como toda ciência, a Administração deve ser basear em leis ou em princípios. Fayol definiu os “princípios gerais” de Administração, sistematizando-os sem muita originalidade, porquanto os coletou de diversos autores de sua época. Fayol adota a denominação princípio, afastando dela qualquer idéia de rigidez, pois nada existe de rígido ou absoluto em matéria administrativa. Tudo em Administração é questão de medida, ponderação e bom senso. Os princípios são universais e maleáveis e adaptam-se a qualquer tempo, lugar ou circunstâncias.
         
ü  Os 14 Princípios Gerais da Administração, segundo Fayol, são:
  1. Divisão do trabalho. Consiste na especialização das tarefas e das pessoas para aumentar a eficiência.
  2. Autoridade e responsabilidade. Autoridade é o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência. A responsabilidade é uma conseqüência natural da autoridade e significa o dever de prestar contas. Ambas devem estar equilibradas entre si.
  3. Disciplina. Depende de obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito aos acordos estabelecidos.
  4. Unidade de comando. Cada empregado deve receber ordens de apenas um superior. É o princípio da autoridade única.
  5. Unidade de direção. Uma cabeça e um plano para cada conjunto de atividades que tenham o mesmo objetivo.
  6. Subordinação dos interesses individuais aos gerais. Os interesses gerais da empresa devem sobrepor-se aos interesses particulares das pessoas.
  7. Remuneração do pessoal. Deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e para a organização em termos de retribuição.
  8. Centralização. Refere-se à concentração da autoridade no topo da hierarquia da organização.
  9. Cadeia escalar. É a linha de autoridade que vai de escalão mais alto ao mais baixo em função do princípio do comando.
  10. Ordem. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.É a ordem material humana.
  11. Equidade. Amabilidade e justiça para alcançar a lealdade do pessoal.
  12. Estabilidade do pessoal. A rotatividade do pessoal é prejudicial para eficiência da organização.
  13. Iniciativa. A capacidade de visualizar um plano e assegurar pessoalmente o seu sucesso.
  14. Espírito de equipe. A harmonia e a união entre as pessoas são grandes forças para a organização.
 
Ø  Teoria da Administração
        Os autores clássicos pretendiam criar uma teoria da administração baseada em divisão de trabalho, especialização, coordenação e atividades de linha e de staff.

  1. Administração como ciência.

O ponto de partida dos autores da Teoria Clássica é o estudo científico da Administração substituindo o empirismo e a improvisação por técnicas científicas.Fayol defendia a necessidade de um ensino organizado e metódico da Administração, de caráter geral para formar administradores.Em sua época, essa idéia era uma novidade.

  1. Teoria da organização.

          A Teoria Clássica concebe a organização como se fosse uma estrutura. Essa maneira de conceber a estrutura organizacional é influenciada pelas concepções antigas da organização (como a organização militar e a eclesiástica) tradicionais, rígidas e hierarquizadas. Nesse aspecto, a Teoria Clássica não se desligou do passado. Embora tenha contribuído para tirar a organização industrial da confusão inicial que enfrentava em decorrência da Revolução Industrial, a Teoria Clássica pouco avançou em termos de uma teoria da organização. Para Fayol, a organização abrange o estabelecimento da estrutura e de forma, sendo, portanto, estática e limitada. Mooney acrescenta que “a organização é a forma de toda associação humana para realização de um fim comum. A técnica de organização pode ser descrita como a técnica de correlacionar atividades específicas ou funções em um todo coordenado”. Para Mooney, Fayol e Urwick, a organização militar é o modelo do comportamento administrativo.
           A estrutura organizacional constitui uma cadeia de comando, ou seja, uma linha de autoridade que interliga as posições da organização e define quem se subordina a quem.A cadeia de comando – também denominada cadeia escalar – baseia-se no principio da unidade de comando, que significa que cada empregado deve se reportar a um só superior.
             Para a Teoria Clássica, a estrutura organizacional é analisada de cima para baixo (da direção para execução) e do todo para as partes (da síntese para a análise), ao contrário da abordagem Cientifica.

Ø  Divisão do trabalho e especialização.
            A divisão do trabalho claramente definida constitui a base da organização, na verdade, é a própria razão da organização, conduz à especialização e à diferenciação das tarefas.
            A Teoria Clássica se preocupava com a divisão no nível dos órgãos que compõem a organização, isto é, com os departamentos, divisões, seleções, unidades. Para Teoria Clássica, a divisão do trabalho dar-se em duas direções:

ü  Vertical. A autoridade aumenta na medida em que se sobe na hierarquia da organização. Na organização há uma escala hierárquica de autoridade (princípio escalar ou cadeia escalar), denominado autoridade de linha, a qual irá significar a autoridade de comando de um superior sobre um subordinado.
ü  Horizontal. Segundo os diferentes tipos de atividades da organização no mesmo nível hierárquico, cada departamento ou seção passa a ser responsável por uma atividade específica e própria. A divisão do trabalho no sentido horizontal assegura homogeneidade, equilíbrio e é chamada de departamentalização. A homogeneidade é obtida quando são reunidos na mesma unidade, todos os que estiverem executando o mesmo trabalho, pelo mesmo processo, para a mesma clientela, no mesmo lugar. A idéia básica é, quanto mais departamentalizada a organização tanto mais ela será eficiente.

Ø  Coordenação.
            Para Fayol, é a reunião a unificação e a harmonização de toda a atividade e esforço; para Gulick, a subdivisão do trabalho é indispensável, e a coordenação é obrigatória; para Mooney, a coordenação é a distribuição ordenada do esforço do grupo, a fim de obter unidade de ação na consecução de um fio comum. A coordenação indica que há um alvo ou objetivo a alcançar.

Ø  Conceito de linha e de Staff.
            Fayol preferia a organização linear, a qual se baseava nos seguintes princípios:

ü  Unidade de comando ou supervisão única. Cada pessoa tem apenas um único e exclusivo chefe.
ü  Unidade de direção. Todos os planos devem se integrar aos objetivos da organização.
ü  Centralização da autoridade. Toda autoridade máxima deve estar concentrada em seu todo.
ü  Cadeia escalar. A autoridade deve estar em escalões hierárquicos, e todo nível hierárquico esteja subordinado ao nível hierárquico superior (autoridade de comando).

Ø  Organização Linear.
            Apresenta uma forma piramidal ocorrendo autoridade linear, baseada na unidade de comando. Os órgãos que a compõem seguem rigidamente o princípio da autoridade de comando. Para que possam se dedicar exclusivamente a suas atividades especializadas, tornam-se necessários outros órgãos prestadores de serviços especializados estranhos as atividades, denominados órgãos de staff ou de assessoria, que fornecem serviços, conselhos, recomendações, assessoria e consultoria. Esses se viços de assessoria não podem ser impostos. Os órgãos de staff não obedecem ao princípio escalar nem possuem autoridade de comando, sua autoridade é chamada de autoridade staff e é uma autoridade especialista.

Ø  Elementos da Administração.
Fayol definiu os elementos que a compõem: previsão, organização, comando, coordenação e controle. Esses elementos constituem as chamadas funções do administrador. Contudo outros autores clássicos definem o seu modo os elementos da Administração:

ü  Elementos da Administração para Urwinck:
Investigação; Previsão; Planejamento; Organização; Coordenação; Comando; Controle.

Urwick desdobrou a previsão em três elementos distintos (investigação, previsão e planejamento).

ü  Elementos da Administração para Gulick.
Planejamento; Organização; Assessoria; Direção; Coordenação; Informação; Orçamento.

Gulick enumera palnejamento, organização, comando e coordenação mencionados por Fayol, porém os elementos Assessoria, Informação e Orçamento são novos:

a)       Assessoria é a função de preparar e treinar o pessoal e manter condições favoráveis de trabalho;
b)       Informação, manter informados o respeito do que passa, aqueles perante o qual o chefe é responsável;
c)       Orçamento, elaboração, execução e fiscalização orçamentária (plano fiscal, a contabilidade e o controle).

Ø  Princípio da Organização.
            Para os autores clássicos não basta enunciar elementos da Administração, é preciso ir além e estabelecer as condições e normas dentro das quais as funções do administrador devem ser aplicadas e desenvolvidas. Obedecer às normas ou às regras de comportamento, isto é, aos princípios gerais que permitem desempenhar as funções de planejar, organizar, dirigir, coordenar e controlar.

ü  Princípios de Administração para Urwick.
Princípio da especialização. Cada pessoa exerce uma só função (divisão especializada do trabalho), dá origem à organização de linha, à de staff e à funcional.
Princípio de autoridade. Uma linha de autoridade claramente definida, conhecida por todos, desde o topo até a base.
Pricípio da amplitude administrativa. Cada superior deve ter certo número de subordinados. O número idela de subordinados varia segundo o nível e a natureza dos cargos, a complexidade do trabalho e o preparo dos subordinados.
Princípio da definição. Deveres, autoridade e responsabilidade de cada cargo e suas relações com os outros cargos devem ser definidos por escrito e comunicado a todos.

                    Apesar de todas as críticas, a Teoria Clássica é ainda a abordagem mais utilizada para os iniciantes em administração, pois permite uma visão simples e ordenada.
A abordagem Clássica analisa de forma minuciosa o trabalho organizacional em categorias compreensíveis e úteis, assim com os princípios, serve de base para o administrador manipular os deveres d cotidiano do seu trabalho com mais segurança e confiança.
A abordagem clássica da administração foi concebida numa época bem diferente da época de hoje, onde a estabilidade e permanência deram lugar à instabilidade e mudança, e mesmo assim a Teoria Clássica ainda é indispensável na compreensão das bases da moderna Administração.

Ø  Conclusão

O pioneiro da Teoria Clássica, Henry Fayol, é considerado juntamente com Taylor, um dos fundadores da moderna Administração. Fayol definiu as funções básicas da empresa tendo como conceito de Administração (POCCC):

§  Prever
§  Organizar
§  Comandar
§  Coordenar
§  Controlar

Com princípios gerais de Administração, Fayol, definiu procedimentos universais a serem aplicadas a qualquer tipo de organização ou empresa, de forma proporcional, as funções administrativas se repartem por todos os níveis da organização. Tendo como base a Administração como Ciência a Teria da Organização dá ênfase na estrutura, visualizando a organização como uma divisão de partes de um todo que se inter-relacionam, restringindo-se apenas a organização formal.
Com o tratamento racional da organização, caracterizou-se a divisão do trabalho, podendo essa divisão ser considerada pelos níveis de autoridade (vertical) ou pela departamentalização (horizontal), necessitando de coordenação para garantir a harmonia do conjunto, e consequentemente, a eficiência da organização.
As funções do administrador: técnicas, comerciais, financeiras, segurança, contábeis e administrativas, formam o processo administrativo da organização, o administrador com isso tem toda uma base para saber como proceder em todas as situações organizacionais.
Assim, mesmo com todas as várias críticas feitas a Teoria Clássica, que chamam a essa teoria como a teoria da máquina, devido ao mecanicismo e as críticas por essa teoria não considerar a organização informal e adotar a visualização da organização como um sistema fechado e bastante simplificado, são críticas válidas. Com tudo isso, devemos a Teoria Clássica, as bases para a moderna teoria administrativa.

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