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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"A ONDA"

FILME "A ONDA"

"Olhem para o futuro" e entendam como somos preciosos para ele. Não basta estarmos nele e sim compreendermos nossa importância individual e dentro de uma comunidade. Pablo Neruda afirmava que: a vida sente a sí mesma. Assim devemos estar atentos as desigualdades e as forças políticas opressoras e alienistas.

Frank


A ONDA (THE WAVE)


BASEADO NUMA HISTÓRIA REAL
O filme tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a
atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio praticado pelos nazistas.
Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência
pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula alguns clichês do nazismo: usariam o
slogan “Poder, Disciplina e Superioridade”, um símbolo gráfico para representar “A onda”,

O professor Ross se declara o líder do movimento da “onda”, exorta a disciplina e faz valer
o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo d’A onda, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar.

O desfecho do filme é dado pelo professor ao desmascarar a ideologia totalitária que sustenta
o movimento d’A onda , denuncia aos estudantes o sumiço dos sujeitos críticos diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa
FICHA TÉCNICA
Ano: 1981
Dublado em Português mas com legendas em holandêsDuraçao: 46 Minutos
Direçao: Alex Grasshoff

ELENCO:

Bruce Davison
Lori Lethin
John Putch
Johnny Doran
Pasha Gray
Wesley Pfenning
Larry Keith
Teri Ralston
Marc Copage
Jamie Rose
Frank Lloyd
Matthew Dunn


Leiam o excelente comentário abaixo sobre o filme.

O filme “A onda” [The wave][1] tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio nazista. Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula alguns clichês do nazismo: usariam o slogan  “Poder, Disciplina e Superioridade”, um símbolo gráfico para representar “A onda”, etc.
O professor Ross se declara o líder do movimento da “onda”, exorta a disciplina e faz valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo d’A onda, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar.
O desfecho do filme é dado pelo professor ao desmascarar a  ideologia totalitária que sustenta o movimento d’A onda , denuncia aos estudantes o sumiço dos sujeitos críticos diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa.
Embora o filme seja uma metáfora de como surgiu o nazi-fascismo e o poder de seus rituais, pode conscientizar os estudantes sobre o poder doutrinário dos movimentos ideológicos políticos ou religiosos. O uso de slogans, palavras de ordem e a adoração a um suposto “grande líder” se repetem na história da humanidade: aconteceu na Alemanha nazista, na Itália fascista, e também no chamado ‘socialismo real’ da União Soviética, principalmente no período stalinista, na China com a “revolução cultural” promovida por Mao Tsé Tung, na Argentina com Perón, etc. Ainda, recentemente, líderes neo-populistas da América Latina, valendo-se de um discurso tosco anti-americano, conseguem enganar uma parte da esquerda resistente a aprender com a história.  
Experiência pedagógica e política
Feito para a televisão, ‘A onda’ [The wave], foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola secundária norte-americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia. Antes de virar filme, foi romanceado em livro. A idéia do filme, com 45 minutos, era para fazer parte do currículo da escola, para estudar, refletir e se prevenir contra a onda nazi-fascista que começou no final da década de 30. Com a derrota do nazi-fascismo na 2ª. Guerra Mundial e o surgimento da ‘guerra fria’, filmes assim, podem funcionar como alerta contra  pregações doutrinárias que fazem apologia aos totalitarismos de direita ou de esquerda[2]. Muitas vezes, o doutrinamento pró-totalitarismo ocorre no âmbito universitário, como se fosse ensino ‘científico’, onde a democracia é considerada uma má invenção ‘burguesa’ e a política uma prática a ser superada por um ‘novo’ sistema desenhado pelo abstracionismo teórico. 
“A Onda” é uma metáfora que se aplica, mais ou menos, a qualquer movimento de massa respondente aos apelos de um líder carismático ou de uma causa mítica irracional. Foi assim com os atos criminosos da Ku Klux Klan, o macartismo que desencadeou a “caça às bruxas”[3] perseguindo todos os supostos “comunistas” nos EUA, os governos de direita da América Latina com traços totalitários como foi o de Pinochet (Chile), o regime de apartheid da África do Sul (antes de Nelson Mandela), o processo  de “limpeza étnica” conduzida pelos sérvios nos Bálcãs, os grupos neonazistas skinheads espalhados pelo mundo, os carecas do ABC paulista, e o movimento separatista do Iguaçu, no Paraná, entre outros menos conhecidos. Também, os partidos políticos neonazistas abrigados no regime democrático, na Áustria, chefiado por J.Haidern, e na França,  por Jean Marie Le Pen. Devem ser, ainda, incluídos os líderes com traços protofascistas (Eco, 1995): Berlusconi, que passou pelo governo da Itália, e líderes totalitários com traço imperial, como King Jon Il (Coréia do Norte), Assad (Síria), ou de milícias que ocupam o vazio do Estado (Hizbolá, Hamas, FARC, PCC) cujos atos truculentos faz semelhança com tantos movimentos fascistas italiano, espanhol, e mesmo o integralismo, no Brasil. No período da  ditadura militar, depois 1964, no Brasil, surgem grupos de extrema-direita, como a TFP (Sociedade da Tradição, Família e Propriedade) e o CCC (Comando de Caça aos Comunistas), ambos com intenções de causar uma ‘onda’ de cooptação dos jovens para a sua luta ideológica e até terrorista[4].
Também líderes eleitos democraticamente, mas cujas manobras deixam transparecer traços totalitários (George W. Bush, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad). Notamos que o traço comum entre estes líderes é a capacidade de fanatizar as massas por uma causa racional ou irracional, se valendo de métodos antidemocráticos como a censura, perseguições, prisões arbitrárias, elogios aos feitos do suposto ‘grande líder’, etc. 
Também podem ser incluídos, hoje, como parte da onda protofascista (sic) os movimentos fundamentalistas (cristão, judaico, islâmico). O ‘fundamentalismo’[5] é a interpretação restrita  do livro sagrado de forma a repudiar tudo e todos que não concordem com tal interpretação; trata-se de um “terrível simplificador” que pretende explicar e fornecer uma moral para o passado, o presente e o futuro da humanidade. Lembrando alguns traços do fascismo ou ‘protofascimo’ elaborado por Umberto Eco (1995), têm conquistado visibilidade na mídia as paradas dos “homens-bomba”, (que incluem crianças e mulheres), e as escolas de doutrinação islâmica ou madrassas, usadas como perversão do islamismo e impondo à população a cultura obscurantista Talibã, no Afeganistão[6]. O auge de visibilidade dos efeitos da doutrinação islamofascista parece ser representado pela organização global da Al Qaeda, cujo líder Bin Laden, que nada tem de socialista ou marxista, diz lutar por uma causa  supostamente “santa” contra os  “infiéis do mundo ocidental”[7].
A atitude fascista não morreu
O nazi-fascismo foi derrotado na 2ª. Grande Guerra, em 1945, mas ele não morreu. O que hoje acontece no cenário mundial nos leva a suspeitar que  “ele não morrerá entre nós”, alerta o psicanalista francês C. Melman (2000).  
A fundação do Partido Nazista, nos EUA, é de 1970. Recente levantamento realizado nos EUA contou  474 grupos de extrema direita, organizados naquele país, alguns agindo abertamente em diversos setores governamentais, inclusive com atos contra a democracia e ao governo legitimamente constituído. A “Nação Ariana’ e a ‘Identidade Cristã’, são considerados pelo FBI como os dois grupos mais perigosos e ameaçadores dos EUA. O ataque terrorista que destruiu todo o edifício do governo federal, em Oklahoma City, em 1995, foi ato de um membro da extrema direita com ligações com o grupo ‘Identidade Cristã’. “O uso da  religião para propósitos fascistas e a perversão da religião em um instrumento de propaganda de ódio, como um cruzada antidemocrática em nome da salvação da democracia, é uma tática disseminada entre os grupos de extrema direita” (Carone, 2003).
Balizas para comentar esse filme:
Nosso olhar sobre o filme “A onda” focaliza três linhas de análise para comentários visando estimular o debate: (1) o nazi-fascismo como ideologia política totalitária de direita; (2) a psicologia de massas  e a servidão voluntária dos indivíduos a um líder, grupo ou causa mítica; (3) a propaganda política e ideológica (4) o recurso da ‘experiência pedagógica’, como meio de ir para além do mero aprendizado de conceitos teóricos. Notar que o professor do filme adota a experimentação com grupo como recurso didático ‘vivencial’ [Dinâmica de Grupo e Sociodrama], que sempre implica em algum risco de perder o controle da experiência pedagógica. O “sócio-grupo” seria o grupo tarefa estruturado e orientado em função da execução ou cumprimento de uma tarefa, e o “psico-grupo” ou grupo estruturado, orientado e polarizado em função dos próprios membros que constituem o grupo, foram criados por Kurt Lewin – judeu alemão emigrado para os EUA - tinham como propósito serem não somente técnicas de aprendizagem alternativa à aula tradicional, considerada chata ou enfadonha mas de efetivamente trabalhar a dimensão afetiva e emocional de cada grupo enquanto gestalt, onde estão presentes preconceitos, dogmatismo, coesão, fé cega num líder, bloqueios, filtragens, enganos e auto-enganos na comunicação entre seus membros[8] etc.
Apesar de não ser um grande filme, e ainda prejudicado com o uso de cópias desgastadas, gravadas da televisão aberta[9], “A onda’ têm a virtude de levar o telespectador a não ficar indiferente aos fenômenos de massificação, fanatismo e intolerância do ser humano. Contudo, o filme é um sério alerta para: a) o risco do “sujeito” perder a “liberdade” e “autonomia”, submetendo-se incondicionalmente ao poder do grupo, sua “causa absoluta” veiculadas por slogans e palavras que ordenam uma ação automática, fazendo desaparecer o sujeito[10] ; b) problematiza a possibilidade de ressurgimento do nazi-fascismo, ou dos totalitarismos de direita ou de esquerda, tendo em vista o desgaste das democracias representativas de nossa época; c) conscientiza a formação de grupites de adolescentes e gangues potencialmente intolerantes e criminosas. Há uma tendência narcisista nesses grupos que, geralmente, são atraídos pela proposta de igualdade e novo sentido existencial-no-mundo, a fundação na vivência da territorialidade, o desenvolvimento de um código de linguagem próprio onde os atos de rejeição dos “mais fracos”, “desgarrados” ou “diferentes” parecem legítimos e morais. Basta ver o recreio de qualquer escola onde os membros dos grupos reproduzem sua imagem narcísica no modo de ser, vestir, falar, pensar etc.  Evidentemente, tal atitude faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade em busca de identidade própria, mas pode também ser a base para a formação de um traço de caráter ‘blindado’, conforme o estudo de W.Reich.
O trote seria um tipo de onda?
O tradicional trote universitário é um ritual de violência sádica de um grupo “mais velho” sobre os “novos” ou calouros. O trote pode ser tipificado como uma formação protofascista, no sentido proposto por Eco (1995), na medida em que um grupo visa humilhar os supostamente mais fracos? Que fazer para quebrar essa “tradição de família” presente ainda em algumas universidades? O que esse ritual de passagem representa na cultura universitária? Será que aulas, palestras, leis, punições, bastam para conscientizar e levar à nova geração evitar essa prática? Será que medidas impostas pelos colegiados de cada instituição, investidos de autoridade, devem proibir com rigor o trote violento, por exemplo, reinventando regras com o sentido da pró-solidariedade? Que metodologia ou técnicas de ensino e aprendizagem poderiam ser usadas para quebrar essa tradição e instaurar uma consciência verdadeiramente crítica e historicamente elaborada sobre tal fenômeno? 
Ascensão do irracional?
O retorno do irracional em forma de ‘onda’ ou de ‘massa’ parece ser uma resposta desesperada de algumas culturas resistindo à modernização ocidental liberal-burguesa-democrática; a globalização econômica em que pese o seu sentido capitalista excludente também tem produzido novas idéias e tecnologias que beneficiam toda a humanidade, embora causem em alguns grupos mais tradicionais o medo de perder sua identidade comunitária, tal como analisa Castells (1999) e Japiassu (2001).
Aos educadores, é imprescindível trabalhar junto com os alunos, desde cedo, a ética da tolerância, o respeito à diversidade cultural e as diferenças demasiadamente humanas, bem como o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, onde a paz e a liberdade devem ser ativas.
O conhecimento científico, a informação e a tecnologia são insuficientes para melhorar o ser humano. É preciso desenvolver uma nova educação que encare o mundo complexo e promova, além da pesquisa que aspira o conhecimento novo, também uma sabedoria prática para se viver a vida pessoal e coletiva em tempos tão sombrios.
Os sintomas atuais de ascensão do irracional humano vem se revelando não só através de grupos nazi-fascistas que formam uma ‘onda’ pregando a  “supremacia da raça branca”, a perseguição  de judeus, negros, índios, homossexuais, nordestinos do Brasil, feministas, esquerdistas, democratas, etc. O fundamentalismo religioso (cristão, islâmico e judaico), os atos dos criminosos ligados ao narcotráfico, o terrorismo protofascista de grupos ou de Estado, sem projeto político, podem ser considerados sintomas de “ascensão do irracional” (em nosso artigo, em http://www.espacoacademico.com.br/004/04ray.htm,  observamos três sintomas do protofascimo no terrorismo: o desprezo do diálogo  pelo ato – do ato pelo ato; o  argumento pela emoção. Para  Eco (1995) é a “a ação pela ação’ e a “luta pela luta”. Na leitura psicanalítica é representado pelo ‘mais-gozar’ da ação e o ‘mais-gozar’ da luta sem fim).
O filme “A onda” focaliza, por um lado, o imperativo da ordem e disciplina e, por outro, o desejo de controlar a pulsão agressiva dos seres humanos travestido em organização fascista aspirando ser moral.
“A onda” pode ser vista através de alguns movimentos políticos-ideológicos de nossa história: quando atuou em nome de uma suposta “superioridade da raça ariana”, causou o genocídio nazista; quando levantou a bandeira da “causa do proletariado” milhares foram estigmatizados de ‘anti-revolucionários’, ‘reacionários burgueses’, ‘intelectuais inúteis’; quando surgiu com o nome de “revolução cultural” fez o povo quase perder suas tradições; quando “em nome de Deus” milhares são assassinados; quando “em nome do Bem contra o Mal”, da “causa justa” ou da “democracia”, invadiu países, destruindo prédios e vidas; Enfim, quanto o irracional está a serviço da racionalidade, o resultado é a imoralidade, o sofrimento e a morte em massa. Quando a intolerância quer ser reconhecida como moral e legal, justificando que a repressão da autonomia dos sujeitos é necessária “para o bem de todos”, a razão se faz cínica[11]. Assim, é preciso reconhecer que ser racional não basta para singularizar o que é ‘ser humano’, ou seja, falta saber se ser racional é condição sine qua non para ser  razoável e capaz de estabelecer empatia para com o nosso semelhante.
Depois do filme
Outras experiências pedagógicas foram realizadas e filmadas depois de “A onda”, que parecem ter sido influenciadas pelas pesquisas dos laboratórios de dinâmica de grupo e experimentação cientificamente controlada, desde a década de 1970.  Recomendamos aos pedagogos, psicólogos, historiadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, entre outros,  assistirem aos documentários:  “Olhos azuis[12], coordenado pela professora Jane Elliott e “Zoológico humano”, conduzido pelo psicólogo P. Zimbardo (Stanford University). Ao conduzir a experiência dos grupos, a professora Elliot evidencia o racismo, os fenômenos de grupo, a liderança, a submissão voluntária, etc. No “Zoológico humano”, recomendamos maior  atenção para a 2ª. Parte, que trata da submissão do sujeito ao grupo. Em ambos, podemos observar fenômenos como ‘conformidade’, ‘disciplina’, ‘bloqueios’, ‘filtragens’, ‘contágio social’, a influência do ‘poder’, a ‘submissão’, as ‘distâncias sociais’, ‘barreiras psicológicas’, a ‘psicose de massa’, o ‘vigiar e punir” de uns contra outros para que ninguém seja a si próprio, a delação ou dedurismo como prática corriqueira de difícil verificação e confrontação com a verdade, o ‘narcisismo das pequenas diferenças’ proposto por Freud, a ‘regressão dos indivíduos a condição de massa ’ (conforme dito de Adorno: o fascismo ao manipular as massas, faz “psicanálise às avessas”), etc. 
Continua sendo atual o discurso do professor Ross, proferido no final de “A onda”:
“Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.

http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm

quarta-feira, 18 de maio de 2011

PSICOLOGIA – As Características dos Movimentos da Psicologia

As Características dos Movimentos da Psicologia

Introdução: Nessa ciência que estuda o comportamento e os processos mentais, destacaram-se cinco movimentos que criaram a Psicologia Moderna:

*    O Estruturalismo
*    O Funcionalismo
*    O Behaviorismo
*    A Psicologia da Gestalt
*    A Teoria Psicanalítica

Os Movimentos:

WILHELM WUNDT, EDWARD TITCHENER E O ESTRUTURALISMO

O Wilhelm Wundt ( 1832-1920) tinha como ambição estabelecer uma identidade para a psicologia, que pertencia a Filosofia e médico por formação fundou em 1879 o primeiro laboratório de psicologia experimental do mundo, acreditava que os psicólogos deveriam investigar os processos elementares da consciência e era particularmente importante estudar as operações mentais centrais como: atenção, intenções e metas com isso Wundt e seus seguidores inventaram um método chamado Introspecção Analítica, tipo formal de auto-observação onde os cientistas foram cuidadosamente treinados a responder perguntas específicas em laboratório explorando suas percepções onde analisaram muitos padrões de sensação em suas partes componentes, porém suas idéias foram difundidas por Titchener nos Estados Unidos que valorizava as qualidades de sensação sobre os sentidos da visão, audição, tato e articulações, onde tornou-se líder do movimento conhecido como Estruturalismo.
O estruturalismo sustentava as seguintes teses onde os psicólogos deveriam:

§ Estudar a consciência humana, em especial as experiências sensoriais.
§ Servir-se de trabalhosos estudos introspectivos analíticos de laboratório.
§ Analisar os processos mentais em seus elementos, descobrir suas combinações e conexões e localizar no sistema nervoso as estruturas a elas relacionadas.
§ Excluir do estudo as experiências de crianças e animais não humanos por não poderem ser treinados convenientemente.
§ Consideravam fenômenos complexos como pensamento, linguagem, moralidade e anormalidades impróprias para estudos introspectivos sendo assim fora do alcance da ciência.
§ Contra a orientação para os assuntos práticos, o que contribuíram para outros movimentos surgirem para remediar essas falhas.

WILLIAM JAMES E O FUNCIONALISMO

            William James (1842-1910), um dos mais influentes psicólogos americanos, argumentava que a consciência era “pessoal e única”, e está “continuamente em mudança”, “evolui com o tempo” e é “seletiva” na escolha dente os estímulos que a bombardeiam e principalmente ajudam as pessoas a se adaptarem aos seus ambientes.
            Embora os funcionalistas discordassem entre si e seguissem até caminhos separados, em muitos pontos compartilhavam sua oposição ao estruturalismo e ainda algumas opiniões dando lugar a outro movimento, o behaviorismo.

Os psicólogos deveriam:

§ Estudar o funcionamento dos processos mentais e muitos outros assuntos como o comportamento das crianças e dos animais simples, a anormalidade e as diferenças individuais entre as pessoas.
§ Utilizar introspecção informal e objetividade nos seus métodos como a experimentação.
§ Seus conhecimentos deveriam ser aplicados a coisas práticas, como na educação, direito e negócios.

JONH WATSON E O BEHAVIORISMO

      Jonh Watson (1878-1958) foi formado sob a orientação de um professor funcionalista, era insatisfeito tanto ao funcionalismo, como ao estruturalismo e resolveu trazer respeito à Psicologia, pois deveria estudar o comportamento observável com métodos objetivos e em 1912 surgiu o Behaviorismo, deu amplitude a essa filosofia e deu uma forma mais moderna a Psicologia e que afirmava que os psicólogos deveriam:

§ Estudar o que acontece no ambiente, chamado de estímulos, e o comportamento observável que seria a resposta.
§ Dar importância a experiência e sua relação ao comportamento em suas aptidões e nos traços e não a hereditariedade, principalmente em relação ao aprendizado.
§ Abandonar a introspecção para aumentar a objetividade.
§ Relacionar-se com pessoas de vários campos sociais, sendo discretos e orientar-los sobre o controle do comportamento.
§ Estudar o comportamento de animais inferiores devido a sua simplicidade.

MAX WERTHEIMER E A PSICOLOGIA DA GESTALT

Movimento que cresceu na Alemanha onde a palavra Gestalt significa forma, padrão ou estrutura, teve vários líderes como Wolfgang Kohler, Kurt Koffa e Max Wertheimer (1880-1943) que surgiu em 1912, desenvolveu estudos sobre o movimento aparente onde demonstrou que o todo é diferente da soma de suas partes, pois elas têm que ser vistas pelo seu lugar, papel e função mo todo da qual são partes e o estudo deste movimento aparente e principalmente com seu estudo sobre a percepção trouxe consigo algumas características:

§ Compreender a percepção, a solução de problemas e o pensamento.
§ E estes cientistas do comportamento deveriam estudar as experiências subjetivas conscientes das pessoas e fortalecia a utilização de métodos objetivos.

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTCA

Sigmund Freud (1856-1939) se especializou no tratamento de problemas no sistema nervoso e em particular de desordens neuróticas onde dava mais ênfase a levar ajuda a pessoas em sofrimento que se caracterizavam pela ansiedade excessiva, depressão, fadiga, insônia, paralisia ou sintomas relacionados a conflitos e tensões onde adotou durante algum tempo a hipnose como tratamento, mas depois não a achou satisfatória por não atender a todos, curar temporariamente e o surgirem  novos sintomas. Desenvolveu então um novo método onde os pacientes repousavam num divâ, fazendo uma tentativa de trazer a tona o inconsciente formulando assim hipóteses ou intuições a respeito da personalidade e assim com sua experiência ia formulando novas idéias, a teoria psicanalítica foi revolucionária na concepção e o tratamento dos problemas emocionais que percorreram os tempos até o tempo moderno.

Seus seguidores sustentavam as seguintes teses:

§ Os psicólogos deveriam estudar as leis determinantes da personalidade criando métodos para tratamento das desordens da personalidade.
§ Trazer a consciência aspectos importantes da personalidade como lembranças, medos e conflitos.
§ Os primeiros cincos anos de vida eram considerados como primeira infância e onde formava a personalidade.
§ O Terapeuta deveria analisar a personalidade dentro de um contexto de relacionamento com o paciente chegando a um relacionamento íntimo e prolongado observando seu comportamento.


A seguir é mostrado no quadro as principais comparações entre esses movimentos da Psicologia.


Movimentos da Psicologia




Características
ESTRUTURALISMO
FUNCIOMALISMO
BEHAVIORISMO
PSICOLOGIA DA GESTALT
TEORIA PSICANALÍTICA
Objetivos
Os processos simples da consciência, principalmente as experiências sensoriais e suas combinações com a estrutura do sistema nervoso.
O funcionamento dos processos mentais, principalmente à medida que esses conhecimentos fossem aplicados as coisas práticas na contribuição para o ser humano sobreviver e se adaptar.
Estímulos e respostas observáveis com ênfase na aprendizagem e onde a experiência tem grande importância.
Compreender a percepção o pensamento e a solução de problemas e o pensamento na experiência subjetiva humana global.
A personalidade, sendo ela normal ou anormal e suas determinantes na primeira infância e nos aspectos inconscientes; o tratamento do comportamento anormal.
Principais Objetivos
O Conhecimento.
O Conhecimento, a aplicação.
O Conhecimento, a aplicação.
Conhecimento.
Serviços conhecimentos.
Métodos de Pesquisa Indicados
Introspecção Analítica
Introspecção informal e métodos objetivos
Métodos objetivos como a experimentação, observação e testes.
Instropecçãoinformal, principalmente a visão e métodos objetivos.
Utilizados em pacientes a intropecção informal, para revelar expediências concientes; onde os terapeutas utiliza a análise lógica e a observação para revelar o inconsciente.
População Estudada
Os psicólogos treinados para se observar.
Os seres humanos adultos e ocasionalmente crianças e animais menos complexos.
Pessoas e outros animais
Pessoas e ocasionalmente outros primatas como o chimpanzés.
Pacientes, sendo principalmente adultos..